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sábado, 15 de setembro de 2012

ELEIÇÕES 2012.


SEGURANÇA É BEM MAIS QUE SÓ POLÍCIA, SENHOR CANDIDATO

Reduzir crimes contra a pessoa e o patrimônio e criar políticas de segurança são desafios do prefeito eleito

Dona Maria (nome fictício) e o marido construíram tudo o que têm e educaram o filho com o fruto do trabalho à frente do minimercado e da padaria, acordando cedo e cruzando o dia no balcão. Trabalho suado. Mas ficar 13 horas por dia em pé não põe medo na senhora de 48 anos. É a audácia dos bandidos, que já apontaram arma para o filho e para o marido, que a assusta. Em 15 anos, ela sofreu 13 assaltos à mão armada e dois arrombamentos.

– Os ladrões não têm medo. Vêm com rosto à mostra. Fogem a pé – diz a comerciante, que hoje atende os clientes atrás de grades.

Maria e o marido são apenas duas pessoas, mas representam um universo de vítimas da violência em Santa Maria, um problema que exigirá muita atenção do prefeito eleito. Assim como eles, donos de lojas, veículos, postos de combustíveis, bares, farmácias e propriedades rurais, pedestres e tantos outros pedem que o eleito lute para melhorar a segurança. Pesquisa Ibope encomendada pelo Grupo RBS, feita entre 28 e 30 de agosto, revelou que a segurança pública é a segunda maior preocupação dos eleitores santa-marienses. O tema foi apontado por 39% dos 602 entrevistados na cidade.

Santa Maria não é uma cidade onde grandes crimes, como assaltos a carro forte, latrocínios (roubo com morte) e sequestros, são frequentes, mas a insegurança é rotineira. Na curva dos números dos últimos cinco anos (veja nas laterais destas páginas), fica evidente que os crimes mais recorrentes são arrombamentos, furtos e roubos a estabelecimentos comerciais e a casas, assaltos a pedestres e furtos em veículos. São eles que dão à população a sensação de insegurança porque colocam o bandido cara a cara com a vítima.

Alvo de ladrões mais de 10 vezes, Lúcio Gaiger, um dos donos de uma joalheira, só tem a lamentar:

– Já renderam, ameaçaram, houve violência pessoal. Nunca pensamos em desistir, mas é difícil.

Homicídios e tráfico de drogas são os que mais cresceram

Na balança das estatísticas, o crescimento de ocorrências de homicídios e tráfico de drogas (crime que influencia e motiva outros) chama a atenção no Estado. Em Santa Maria não é diferente. De janeiro a agosto, 24 pessoas foram mortas, mais que o dobro de 2008. No tráfico, a diferença salta mais aos olhos: 46 (2008) para 108 (2012).

A violência assusta até quem mora em condomínio fechado, como o Zilda Arns, perto da Vila Maringá, onde moradores são ameaçados por gangues.

– Até quatro anos atrás, condomínio fechado era restrito às classes A e B. Agora, temos projetos para as classes B e C. As pessoas procuram por qualidade de vida e segurança – diz Cris Behr, gerente geral de uma imobiliária.

O prefeito pode integrar forças, diz especialista

Caro candidato a prefeito: se ao ler os relatos desta reportagem o senhor imagina que nada tem a fazer, já que segurança é dever do Estado, saiba que a população espera muito do senhor, caso eleito. Espera que pressione pela vinda de mais policiais e por melhor estrutura às polícias, que crie programas para minimizar o vandalismo, que fomente projetos de paz nas escolas. A lista é ainda maior.

– O prefeito pode servir como integração das forças. Colocar um poste de luz, fazer trabalho preventivo na escola e pressão por mais estrutra – diz a coordenadora do curso de Políticas Públicas da UFRGS, Letícia Schabbach.
diário de santa maria.