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domingo, 15 de dezembro de 2013

A diarréia em vacas adultas constitui um sério problema de diagnóstico. O distúrbio pode acometer o rebanho ou apenas alguns animais. Uma das maiores dificuldades para a definição da conduta clinica é a falta da anotação sobre o histórico dos últimos casos de diarréia. Com o histórico é possível identificar as características dos últimos casos, o tipo de tratamento utilizado e resultados obtidos. Contudo, como os casos de diarréia no rebanho adulto são esporádicos, raramente são realizadas as anotações sobre os eventos ocorridos, mantendo obscuro os dados sobre incidência e prevalência e não favorecendo a rápida ação do veterinário nos futuros quadros. Uma das primeiras ações, para favorecer o diagnóstico e as anotações dos quadros clínicos, é a utilização do escore de fezes: Escore 1: Fezes muito líquidas Escore 2: Fezes amolecidas, que não formam monte Escore 3: Escore ideal, as fezes formam um monte de 4 a 5 cm, apresentando vários círculos concêntricos e uma pequena depressão ou cova no centro. Escore 4: Fezes moderadamente secas Escore 5: Fezes duras e muito secas O clínico pode também utilizar este escore de fezes para auxiliá-lo a descrever os quadros clínicos da diarréia, por exemplo: Diarréia leve: - escore de fezes 2, - sem presença de febre, - perda do apetite, - pequena redução da produção de leite, - até três dias de duração do quadro clinico. Diarréia moderada: - escore de fezes 2 ou 1 - sem presença de febre, - perda do apetite, - significativa redução da produção de leite. Diarréia severa: - escore de fezes 1 - com presença de FEBRE, - grande perda do apetite, - grande redução da produção de leite. Este é apenas um exemplo de como os quadros clínicos podem ser sintetizados, descrições como esta podem ser modificadas de acordo com o tipo de agente causal. Nos casos de diarréia leve, geralmente, não é necessário tratamento. Mantenha o animal sob observação e faça a anotação sobre a ocorrência. Nos casos de diarréia moderada e severa há necessidade de tratar o animal, o tratamento vai variar de acordo com o agente causal. Faça também as anotações da ocorrência e dos resultados obtidos com o tratamento. Existe uma gama de possíveis causas para diarréia em vacas adultas, fato que evidencia a dificuldade de lidar com esta patologia. A causa pode ser uma bactéria, um vírus, micotoxinas (da dieta), problemas de balanceamento da dieta, mudança de componentes da dieta, erros na mistura da dieta (excesso de algum ingrediente), etc. Muitas vezes, para a definição do diagnostico é necessário uma reunião entre o nutricionista e o veterinário. No sistema digestivo, o segmento gastrintestinal tem a função de digestão dos alimentos. O movimento de líquidos é feito por um processo de absorção e secreção. A maior parte deste líquido é secretada pelo próprio órgão e apenas 20% são provenientes da ingestão. No intestino, o processo de absorção de líquidos e nutrientes é realizado pelas vilosidades e a secreção pelas criptas. A diarréia é um desequilíbrio dos processos de absorção e de secreção intestinal, podendo ser ocasionado pela inibição da absorção e/ou estímulo da secreção. A salmonelose, por exemplo, provoca destruição dos enterócitos (células epiteliais intestinais) e deformação das vilosidades intestinais. Com isso, a capacidade de absorção da mucosa intestinal é reduzida, instalando-se um processo de má absorção, e conseqüente diarréia. A preocupação imediata quando aparecem casos de diarréia no rebanho adulto é avaliar a necessidade de isolamento do animal. A segunda atitude é avaliar o índice de resposta ao protocolo de tratamento, analisando a necessidade de mudança das drogas e a qualidade dos mecanismos de hidratação dos animais acometidos, e a terceira atitude é avaliar o programa de vacinação. O critério de avaliação de animais acometidos por diarréia é o mesmo utilizado para orientar a decisão sobre o tratamento, ou seja: monitore a produção de leite, o apetite, a atitude e o nível de hidratação. Mas sempre tenha o escore de fezes como parâmetro que possa dar suporte às decisões. Finalizando, a prioridade é tratar e cuidar dos animais acometidos, em seguida a atenção deve ser voltada para a prevenção. Afinal, esta equação sempre deve ser lembrada: DOENCA= NÍVEL DE EXPOSICAO X RESISTÊNCIA. Por isso, é importante determinar como minimizar a exposição e maximizar a resistência. Os índices indicarão qual é o nível de sucesso da identificação da doença, do tipo de ação tomada e da resposta ao tratamento. As medidas relacionadas à resistência dos animais devem ser direcionadas inicialmente para identificar e minimizar os fatores causadores de estresse, no intuito de favorecer a resistência natural. Em seguida é necessário avaliar o programa de imunização baseado no monitoramento de índices do rebanho. Fonte: Rhoda, D.A. Diarrhea....a most obscure problem. Hoard's Dairyman. 10 de Setembro, 2007.