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segunda-feira, 19 de março de 2012



ARTIGO

Educação para o trânsito

Diariamente, milhares de pessoas morrem ou ficam incapacitadas em decorrência dos acidentes de trânsito, representando um problema de saúde pública e ordem social. Com a evolução da tecnologia, a qual proporcionou veículos mais velozes, bem como a facilidade para serem adquiridos, ocorreu um aumento acelerado da frota. No entanto, paralelamente, também ocorreu o aumento desenfreado de acidentes. Assim, como aceitar que no terceiro milênio, como toda a evolução tecnológica, possa existir o fenômeno da violência no trânsito?

As estradas foram ampliadas, contudo, o poder público e os órgãos competentes deixaram de investir em ações educativas. O trânsito se tornou cenário de violência e sangue, caracterizado por inúmeros atropelamentos, colisões, agressões verbais e gestuais, disputa por espaço, manobras irregulares, desobediência a semáforos e paradas obrigatórias. Predominam a individualidade, a pressa, a disputa e o orgulho, e muitos condutores colocam seus interesses acima da coletividade.

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a educação para o trânsito é direito de todos e constitui dever prioritário para os componentes do Sistema Nacional de Trânsito. Conforme o artigo 76 do CTB, em todos os níveis de ensino deverá ser promovida a educação para o trânsito, sendo inclusive amparada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação. E educação como política efetiva para o trânsito seguro não significa apenas conhecer a legislação e as normas de trânsito, mas, principalmente, a formação de valores como cooperação e respeito ao próximo.

Diversos fatores contribuem para agravar a crise, destacando-se a ingestão de bebida alcoólica, descontrole emocional, falhas mecânicas, falta de fiscalização e sinalização adequadas, excesso de velocidade e falta de gestão pública. Contudo, o principal fator desencadeador dos acidentes é o próprio comportamento humano. Na maioria dos casos, ocorrem pela falta de atitudes simples, como o respeito ao próximo. Como pretender sair de casa, enfrentar o trânsito caótico e chegar ileso ao destino planejado?

O trânsito deve ser assumido como responsabilidade social pelos governantes, pela mídia e educadores, bem como a sociedade deve ter consciência dos riscos e agir em prol de um trânsito seguro. E pela educação é possível formar cidadãos mais conscientes e preparados para enfrentar a vida no trânsito. Urgentemente, são necessários a implementação de ações educativas para a mudança de comportamento, a redução dos acidentes e o exercício da cidadania no trânsito.

* Estudantes de Direito

** Advogada e professora universitária

DENISE S. NUNES, LUCAS S. MEYNE* E ADRIANE MEDIANEIRA TOALDO