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quinta-feira, 17 de maio de 2012

ARTIGO



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As drogas e seus disfarces

Muito se tem falado sobre o uso crescente de crack e sua relação com a violência. No entanto, escondida na intimidade dos lares, nas festas dos adolescentes, entre outros, encontra-se uma droga socialmente aceita: o álcool. Conforme o Ministério da Saúde, um em cada quatro homens abusa do álcool, e o início desse uso está se dando cada vez mais cedo.

Pesquisa da Unifesp (2010) com 5.226 alunos de escolas privadas mostrou que 40% haviam bebido no mês anterior; a idade de início do consumo foi de 12,5 anos; em 46% dos casos a bebida foi oferecida por familiares, 28% por amigos e apenas 21% por iniciativa própria. Em Santa Maria, pesquisa recente do professor Felipe Cureau, com 1.142 adolescentes (entre 14 e 19 anos), mostrou que 22,3% já consumiram álcool em excesso. É perceptível o aumento do número de estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas até mesmo nas proximidades de escolas.

Estudos indicam que quanto mais precoce a idade de início do uso de uma droga, maiores são os riscos de a pessoa se tornar dependente. A maioria dos usuários iniciou o consumo de drogas ilícitas quando estava sob efeito de álcool, sendo que este também representa maior risco de envolvimento em brigas e acidentes. Conforme a Associação Brasileira de Psiquiatria, o álcool é responsável por 60% dos acidentes de trânsito e aparece em 70% dos laudos por mortes violentas.

Como há permissividade social em relação ao álcool, seu uso abusivo na adolescência é um problema de difícil manejo, até porque os pais costumam não admitir que ele existe, além do que essa fase caracteriza-se por necessidades de autoafirmação e transgressão de regras. Aliado a isso, o baixo custo, o fácil acesso e a grande visibilidade nos horários nobres da televisão são elementos que fomentam o consumo. Semelhante ao que acontecia há alguns anos com as propagandas de cigarro que procuravam associar esporte, música e vida saudável ao consumo dessa droga, nos deparamos hoje com o mercado de cerveja que movimenta milhões e associa imagens de mulheres bonitas, esporte, praias e festas.

Na contramão, temos o aumento dos gastos com saúde pública, incapacidades físicas, sofrimento mental, rompimento de laços familiares etc. O Brasil continua em silêncio diante dessa doença social. É necessária a participação da sociedade civil no fortalecimento de políticas de promoção, atenção e prevenção em conjunto com o Estado na busca de estratégias para o enfrentamento deste problema.